Indaiá 3

Ceará é o pioneiro na doação de sangue raro para outro país

O tipo sanguíneo Bombay é considerado muito raro

13 de julho de 2017
Ceará é primeiro estado brasileiro a doar sangue raro para outro país.

A enfermeira Natalícia Azevedo foi a responsável por entregar o material coletado na Colômbia.

Na última quarta-feira, 12, o Ceará fez o envio internacional de sangue raro para doação para a Colômbia. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o Ceará foi o primeiro estado brasileiro a realizar o feito.

Além de o Brasil enviar pela primeira vez, é também a primeira vez que a Colômbia recebe o sangue doado por outro país. Somente 11 famílias no Brasil possuem o fenótipo Bombay, tipo sanguíneo raríssimo no mundo.

A transfusão sanguínea ocorreu em Medellín, na Colômbia. O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará, Hemoce, da rede pública do Governo do Ceará, enviou o sangue doado na segunda-feira, 10.

A bolsa de sangue tinha um tipo sanguíneo raro, uma criança à espera de uma transfusão e a generosidade de quem doa sem esperar nada em troca. A paciente é uma menina de apenas um ano e dois meses com tipo sanguíneo raríssimo, o fenótipo Bombay, o qual é mais comum na Índia.

A doação foi possível graças à solidariedade de um cearense de 23 anos de idade que tem o mesmo tipo sanguíneo da menina e se dispôs a ser o doador. Foram aproximadamente 350 ml de sangue, o suficiente para salvar a vida da criança.

Sangue

A doação de sangue, que ocorreu no sábado, 8. No dia seguinte, a bolsa estava liberada e seguiu para a Colômbia, em 10 de julho. Depois da realização de testes de compatibilidade feitos com as amostras do doador e da paciente, a menina recebeu a transfusão nesta quarta-feira, 12.

Tipo sanguíneo Bombay

O tipo sanguíneo Bombay é considerado muito raro. O Fenótipo Bombay (hh) não tem o antígeno H nas células vermelhas do sangue. Pessoas com esse tipo de sangue só podem receber doação de outras que tenham o mesmo tipo sanguíneo.

O Fenótipo de Bombaim também é conhecido como Falso O. O grupo sanguíneo de Bombay tem nenhum antígeno ABO, nem H.

“O primeiro passo foi entrar em contato com o doador e convidá-lo a realizar a boa ação.Quando liguei e contei sobre o caso, ele mostrou-se sensível à atitude solidária e já no dia seguinte esteve no Hemoce doando sangue”, diz Nágela Lima, coordenadora da captação de doadores. Para ela, a atitude do doador deve ser também um exemplo para outras pessoas.

“A doação de sangue demonstra que atitudes simples podem trazer a esperança na vida de pacientes que aguardam por uma transfusão independentemente do tipo sanguíneo”, conclui.

Fenótipo Bombay

De acordo com a hematologista Denise Brunetta, coordenadora do laboratório de Imuno-hematologia do Hemoce, no Brasil somente 11 famílias possuem o fenótipo Bombay. O doador cearense faz parte de uma dessas famílias.

Segundo Denise, descobrir o doador com esse fenótipo no Ceará só foi possível pelo trabalho desenvolvido no laboratório de Imuno-Hematologia do Hemoce.

“Todo o sangue doado no Hemoce passa por um processo de análise e testes que incluem tipagem ABO e RH e pesquisa anticorpos irregulares.Há quase quatro anos, o Hemoce adotou um novo método na busca de doadores raros que permite detectar diferentes tipos sanguíneos, inclusive raríssimos como o fenótipo Bombay”, explica Denise.

A iniciativa do hemocentro cearense fez com que a criança e o jovem com o tipo sanguíneo raro pudessem se conectar.

Para a diretora geral do Hemoce, Luciana Carlos, o procedimento inédito no país é fruto de um trabalho em equipe. “Mais uma vez o Hemoce é pioneiro no Brasil na realização de procedimentos de hemoterapia e isso demostra o enorme comprometimento e competência dos profissionais que trabalham com a missão de salvar vidas”, diz.

 




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