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Movimento antivacina é um perigo para a saúde pública

Apesar da eficácia comprovada pelas entidades médicas, a vacinação como algo obrigatório ainda é alvo de polêmicas

9 de junho de 2019
Vacina: Neste 9 de junho, datado como o Dia da Imunização, o objetivo é conscientizar sobre a importância manter as principais vacinações sempre em dia. (Foto: Banco de Dados)

Vacina: Neste 9 de junho, datado como o Dia da Imunização, o objetivo é conscientizar sobre a importância manter as principais vacinações sempre em dia. (Foto: Banco de Dados)

Hoje, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as vacinas evitam entre 2 milhões e 3 milhões de mortes por ano. Doenças que antes representavam grande risco, como o sarampo, foram erradicadas por conta da vacinação.

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Vacina como ferramenta de prevenção e saúde

Com o intuito de proteger e prevenir, as vacinas foram criadas em prol de obter mais saúde para a população. As vacinas funcionam como mecanismos de defesa do organismo humano contra agentes infecciosos e bacterianos. Neste 9 de junho, datado como o Dia da Imunização, o objetivo é conscientizar sobre a importância manter as principais vacinações sempre em dia.

Segundo a pediatra Lara Maia (Cremec 5666), quando uma criança é vacinada, é como se o corpo recebesse uma “imitação” da doença, mas muito mais fraca. “Isso é o suficiente para o que o organismo comece a produzir uma defesa específica para combater aquele vírus ou bactéria. Quando a infecção for eliminada, as células de defesa já terão criado uma “memória” contra a doença”, explica a pediatra.

A pediatra elencou dois tipos de vacinas. São eles:

Vacina atenuada: contém uma versão enfraquecida do vírus, portanto não causa a doença em pessoas com o sistema imunológico saudável. Como é feita com um vírus vivo, é a que consegue causar uma infecção “mais natural”, o que produz uma resposta melhor do nosso sistema de defesa. Não é indicada a pessoas com problemas imunológicos, como crianças em tratamento com quimioterapia. Exemplos: sarampo, caxumba, rubéola e varicela.

Vacina inativa: produzidas com microrganismos mortos ou com seus fragmentos.  São mais seguras, mas também desencadeiam uma resposta imunológica menor. Frequentemente, são necessárias mais de uma dose para uma defesa prolongada. Exemplos: pólio, raiva, influenza, hepatite A.

No Brasil, o Programa de Imunizações (PNI) criado e gerenciado pelo Ministério da Saúde, tem como principal objetivo controlar o surgimentos de doenças com o uso da vacina. Uma das ações efetivas são as vacinações em recém-nascidos. Ainda na maternidade, bebês recebem a BCG, contra a tuberculose, e a vacina contra a hepatite B.

Movimento antivacina

Apesar da eficácia comprovada pelas entidades médicas, a vacinação como algo obrigatório ainda é alvo de polêmicas. Uma tendência que vem crescendo no Brasil e no mundo é de que famílias não vacinem seus filhos. No entanto, a prática pode representar um grande risco para a saúde da população. Um exemplo: uma criança que não é vacinada pode contrair uma doença e propagá-la quando viaja. 

As razões são variadas: medo de possíveis reações ruins, desconfiança sobre a eficácia ou simplesmente por não acharem ser tão necessário. “É estranho e difícil de imaginar que uma mãe aceite e entenda como normal seu filho ter uma doença grave que poderia ter sido evitada por uma simples vacina. As vacinas têm nos permitido mais tempo e qualidade de vida. Como negar a importância se os resultados refletem diretamente na melhora da saúde populacional, de forma impactante?”, reflete Lara Maia.

A posição de fortalecer a vacinação no país é adotada como meta prioritária pelo Ministério da Saúde. Entre as estratégias estão as ações que promovem a adesão da população à imunização, além de instituir uma “força tarefa” para apoiar os estados e municípios na investigação e manejo de casos de doenças imunopreveníveis.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente 19 vacinas que integram o Calendário Nacional de Vacinação, protegendo contra 18 doenças imunopreveníveis. Por ano, o Ministério da Saúde aplica mais de 300 milhões de doses de vacinas na população brasileira. Todas as vacinas distribuídas pelo SUS passam por avaliação de qualidade e segurança e também pela validação e aprovação de instituto reguladores e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Vacinas NÃO causam autismo

Um artigo científico publicado em 1998 na renomada revista de saúde Lancet, no qual o médico inglês Andrew Wakefield associou o aumento do número de crianças autistas com a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, foi um dos grandes motivadores da causa. Na época, a própria revista se retratou quanto a publicação, mas vários pais já estavam assustados e suspendendo a vacinação de suas crianças. “Há muito tempo esta idéia equivocada da associação da vacina tríplice viral e autismo foi desmistificada”, confirma a pediatra.

Não, não há cura para o autismo. Mas há o desespero de famílias que enxergam soluções onde não há. Outra problemática envolvendo a causa é o surgimento da MMS (sigla em inglês para “solução mineral milagrosa”), substância corrosiva usada em produtos de limpeza que está sendo vendida para pais e crianças como falsa promessa de cura. Segundo as autoridades sanitárias e entidades médicas, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o produto é totalmente inapropriado para ingestão por ter efeitos equivalentes ao da água sanitária. Portanto, a fórmula causa danos gravíssimos para a saúde de quem o consome.

Em relatos nas redes sociais, pais dizem ver os “parasitas” do autismo saírem de seus filhos. No entanto, entidades médicas garantem que os fluidos são partes do corpo afetadas pelo alto teor corrosivo do MMS. “O uso do MMS é uma prática não aconselhada por não trazer qualquer benefício ao paciente. Além disso, pode ocasionar diversos sinais e sintomas em quem utilizar a solução (lesões intestinais, náuseas, vômitos, diarreia, insuficiência renal e outras complicações graves, com risco de morte). Em caso de dúvida sobre métodos novos para tratamento do autismo, o médico ou terapeuta da criança deverá ser consultado, para que a família seja melhor orientada”, orienta o neuropediatra André Cabral.

A comercialização do produto como medicamento é proibida no mundo todo. A Anvisa continua as medidas de fiscalização e trabalha na retirada de anúncios da internet, garantindo que as ações serão mantidas. Além disso, desde junho de 2018, proibiu a fabricação, distribuição, comercialização e uso desses produtos.

Ações de imunização
A Secretaria de Saúde (Sesa) decidiu por estender a campanha de vacinação contra gripe (Influenza). As vacinas estarão disponíveis até 14 de junho em todo o estado, nos postos de saúde pública. (Foto: Sesa)

A Secretaria de Saúde (Sesa) decidiu por estender a campanha de vacinação contra gripe (Influenza). As vacinas estarão disponíveis até 14 de junho em todo o estado, nos postos de saúde pública. (Foto: Sesa)

O movimento antivacina, apesar de tímido no país, já pode ser considerado um dos fatores da diminuição na taxa de pessoas que recorreram à imunização. De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado, o Ceará vacinou até o momento 82% do público-alvo, quando a meta colocada pela OMS é de imunizar 90% do grupo prioritário. A partir desse dado, a Sesa decidiu por estender a campanha de vacinação contra gripe (Influenza). As vacinas estarão disponíveis até 14 de junho em todo o estado, nos postos de saúde pública.

A imunização prioriza o grupo composto por crianças de 6 meses até menores de 6 anos. Além de gestantes, idosos com 60 anos ou mais. Também, mulheres com até 45 dias pós-parto, doentes crônicos, trabalhadores da saúde, população indígena, adolescentes e jovens sob medida socioeducativa, população carcerária e funcionários do sistema prisional, professores. Ainda contempla profissionais das forças de segurança e salvamento (policiais civis, militares, bombeiros e membros ativos das Forças Armadas).

“O recém-nascido, especialmente um prematuro, tem um risco acrescido de contrair doenças, pois as suas defesas ainda estão em desenvolvimento. Apesar do bebê se encontrar protegido com os anticorpos maternos, transmitidos quer durante a gestação quer durante a amamentação, estes não são suficientes para garantir uma proteção eficaz ao  bebê. Por isso torna-se importante vaciná-los nos primeiros dias de vida”, garante Lara.

Já foram registrados 807 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grace (SRAG) devido ao vírus influenza no Brasil. O subtipo predominante influenza A (H1N1) foi responsável por 407 casos e 86 óbitos do total.

Aplicativo Vacinação em Dia

Criado pelo Ministério da Saúde, o aplicativo é capaz de gerenciar cadernetas de vacinação cadastradas pelo usuário, além de coletar informações completas sobre as vacinas disponibilizadas pelo SUS. Além disso, o Vacinação em Dia emite lembretes sobre as campanhas sazonais de vacinação promovidas pelo Ministério da Saúde, alerta sobre quando deve ser a próxima dose, tudo de forma detalhada. O objetivo é estar mais presente no dia a dia da população, oferecendo de forma mais prática todas as informações necessárias para garantir a imunização.

Em 1776, era produzida a primeira vacina no mundo pelo médico britânico Edward Jenner. A substância foi desenvolvida para combater o vírus da varíola, hoje erradicado. A partir da iniciativa e dos avanços na medicina, hoje contamos com vacinas contra diversas doenças como gripe, hepatite, febre amarela, sarampo, tuberculose, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, meningite, poliomielite, diarreia por rotavírus, caxumba e pneumonia causada por pneumococos.




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