Com o envelhecimento acelerado da população, uma condição ainda pouco conhecida tem ganhado destaque entre especialistas em saúde: a sarcopenia. Caracterizada pela perda progressiva de massa muscular, força e desempenho físico, a doença afeta milhões de idosos no mundo e está diretamente relacionada à perda de autonomia, aumento de quedas, hospitalizações e mortalidade.
Dados recentes de consensos internacionais indicam que entre 10% e 20% dos idosos que vivem na comunidade apresentam sarcopenia. Em pessoas com mais de 80 anos, esse número pode ultrapassar 50%, especialmente entre idosos hospitalizados ou institucionalizados. No Brasil, estudos mostram prevalência variável, que pode ir de menos de 5% a mais de 60%, dependendo do perfil da população e dos critérios diagnósticos utilizados.
“Sarcopenia não é apenas perda de músculo. É perda de independência, de equilíbrio e de segurança. Em muitos casos, ela define se o idoso continuará vivendo de forma autônoma ou se passará a depender de cuidadores”, explica Rafael Oliveira, educador físico, doutor em Morfologia e professor universitário.
Riscos reais para a saúde
A sarcopenia está associada a uma série de consequências graves. Idosos com a condição apresentam maior risco de quedas e fraturas, especialmente de quadril, além de redução da capacidade funcional, dificuldade para realizar tarefas básicas do dia a dia e maior necessidade de internações hospitalares.
Estudos também mostram que a doença está relacionada a um aumento significativo do risco de morte, independentemente da presença de outras doenças. “A força muscular e o desempenho físico são hoje considerados marcadores importantes de saúde e longevidade. Quanto menores esses parâmetros, maior o risco de desfechos graves”, destaca Rafael Oliveira.
Por que a sarcopenia acontece?
A perda muscular associada à sarcopenia não ocorre por um único motivo. Trata-se de uma condição multifatorial, influenciada por fatores como:
Sedentarismo e falta de atividade física, considerados os principais agravantes;
Alimentação inadequada, especialmente baixa ingestão de proteínas;
Doenças crônicas, como diabetes, doenças inflamatórias e cardiovasculares;
Alterações hormonais e inflamação crônica;
Fatores socioeconômicos, como acesso limitado à saúde e menor nível educacional.
Exercício físico é a principal arma contra a doença
Apesar de comum, a sarcopenia não é inevitável. Evidências científicas atuais mostram que a condição pode ser prevenida, retardada e até parcialmente revertida, principalmente quando identificada precocemente.
“O exercício físico, especialmente o treinamento de força associado a atividades de equilíbrio e mobilidade, é a estratégia mais eficaz para combater a sarcopenia. O objetivo não é apenas viver mais anos, mas manter autonomia, funcionalidade e qualidade de vida”, afirma o especialista.
Além da prática regular de exercícios, profissionais de saúde recomendam alimentação adequada, com ingestão suficiente de proteínas, e acompanhamento multiprofissional, envolvendo educadores físicos, nutricionistas e médicos.
Um desafio crescente para a saúde pública
Com o aumento da expectativa de vida, a sarcopenia se consolida como um importante problema de saúde pública, com impacto direto sobre os sistemas de saúde e sobre a qualidade de vida dos idosos.
“Envelhecer bem não significa apenas ausência de doenças. Significa preservar força, independência e dignidade. Investir na prevenção da sarcopenia é investir em envelhecimento saudável”, conclui Rafael Oliveira.


