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Sarcopenia: a doença silenciosa que rouba a autonomia dos idosos e aumenta o risco de morte

Com o envelhecimento acelerado da população, uma condição ainda pouco conhecida tem ganhado destaque entre especialistas em saúde: a sarcopenia. Caracterizada pela perda progressiva de massa muscular, força e desempenho físico, a doença afeta milhões de idosos no mundo e está diretamente relacionada à perda de autonomia, aumento de quedas, hospitalizações e mortalidade. Dados recentes […]

29 de janeiro de 2026

Com o envelhecimento acelerado da população, uma condição ainda pouco conhecida tem ganhado destaque entre especialistas em saúde: a sarcopenia. Caracterizada pela perda progressiva de massa muscular, força e desempenho físico, a doença afeta milhões de idosos no mundo e está diretamente relacionada à perda de autonomia, aumento de quedas, hospitalizações e mortalidade.

Dados recentes de consensos internacionais indicam que entre 10% e 20% dos idosos que vivem na comunidade apresentam sarcopenia. Em pessoas com mais de 80 anos, esse número pode ultrapassar 50%, especialmente entre idosos hospitalizados ou institucionalizados. No Brasil, estudos mostram prevalência variável, que pode ir de menos de 5% a mais de 60%, dependendo do perfil da população e dos critérios diagnósticos utilizados.

“Sarcopenia não é apenas perda de músculo. É perda de independência, de equilíbrio e de segurança. Em muitos casos, ela define se o idoso continuará vivendo de forma autônoma ou se passará a depender de cuidadores”, explica Rafael Oliveira, educador físico, doutor em Morfologia e professor universitário.

Riscos reais para a saúde

A sarcopenia está associada a uma série de consequências graves. Idosos com a condição apresentam maior risco de quedas e fraturas, especialmente de quadril, além de redução da capacidade funcional, dificuldade para realizar tarefas básicas do dia a dia e maior necessidade de internações hospitalares.

Estudos também mostram que a doença está relacionada a um aumento significativo do risco de morte, independentemente da presença de outras doenças. “A força muscular e o desempenho físico são hoje considerados marcadores importantes de saúde e longevidade. Quanto menores esses parâmetros, maior o risco de desfechos graves”, destaca Rafael Oliveira.

Por que a sarcopenia acontece?

A perda muscular associada à sarcopenia não ocorre por um único motivo. Trata-se de uma condição multifatorial, influenciada por fatores como:

Sedentarismo e falta de atividade física, considerados os principais agravantes;

Alimentação inadequada, especialmente baixa ingestão de proteínas;

Doenças crônicas, como diabetes, doenças inflamatórias e cardiovasculares;

Alterações hormonais e inflamação crônica;

Fatores socioeconômicos, como acesso limitado à saúde e menor nível educacional.

Exercício físico é a principal arma contra a doença

Apesar de comum, a sarcopenia não é inevitável. Evidências científicas atuais mostram que a condição pode ser prevenida, retardada e até parcialmente revertida, principalmente quando identificada precocemente.

“O exercício físico, especialmente o treinamento de força associado a atividades de equilíbrio e mobilidade, é a estratégia mais eficaz para combater a sarcopenia. O objetivo não é apenas viver mais anos, mas manter autonomia, funcionalidade e qualidade de vida”, afirma o especialista.

Além da prática regular de exercícios, profissionais de saúde recomendam alimentação adequada, com ingestão suficiente de proteínas, e acompanhamento multiprofissional, envolvendo educadores físicos, nutricionistas e médicos.

Um desafio crescente para a saúde pública

Com o aumento da expectativa de vida, a sarcopenia se consolida como um importante problema de saúde pública, com impacto direto sobre os sistemas de saúde e sobre a qualidade de vida dos idosos.

“Envelhecer bem não significa apenas ausência de doenças. Significa preservar força, independência e dignidade. Investir na prevenção da sarcopenia é investir em envelhecimento saudável”, conclui Rafael Oliveira.




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