
Mais de 6 milhões de brasileiros vivem com escoliose, segundo dados de 2023 da Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença, que se caracteriza por um desvio lateral da coluna, tem como forma mais frequente a escoliose idiopática do adolescente (EIA), responsável por cerca de 80% dos casos e que afeta principalmente pré-adolescentes do sexo feminino – 90% dos casos nessa faixa etária – entre 10 e 18 anos. Conforme o Sistema Único de Saúde (SUS), o país registrou, em 2023, 1.422 internações e 264.429 procedimentos ambulatoriais relacionados à escoliose. No cenário global, a OMS estima que a escoliose afete cerca de 2% da população mundial, com prevalência em adolescentes entre 2% e 4%, e pode chegar a até 4,8% em crianças de 10 a 14 anos.
Felizmente, mais de 99% dos casos de escoliose, quando detectados de forma precoce, podem ser corrigidos com tratamento conservador, sem a necessidade de cirurgia. Daí a importância de os pais identificarem o mais breve possível qualquer anomalia na coluna vertebral de crianças e jovens. Esse é um dos objetivos da campanha Junho Verde, conforme explica a ortopedista e traumatologista Gabriella Brito, cirurgiã de coluna e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Ceará (SBOT-CE).
“Existem várias causas para a escoliose. A mais comum é a escoliose idiopática, que não se conhece a causa exata. Mas também existe a escoliose causada por distúrbio neuromuscular, por algumas síndromes e a que acontece por malformação congênita da vértebra. A escoliose idiopática, que é o nosso foco esse mês, acontece principalmente em meninas adolescentes”, observa Gabriella Brito.
Identificação precoce
De acordo com a ortopedista, quanto mais cedo a escoliose for detectada, melhor. O problema pode ser notado com algumas alterações físicas no paciente, como um ombro mais alto que o outro. “Pode ser também uma escápula mais proeminente de um lado, uma cintura assimétrica, às vezes se nota também uma corcunda nas costas. A melhor maneira de detectar a escoliose de maneira precoce é o acompanhamento com um ortopedista, e o melhor exame para avaliar a escoliose é a radiografia”, esclarece.
Gabriella Brito alerta que toda escoliose deve ser investigada e acompanhada. “Quando isso não acontece, ela pode progredir. Se esse desvio na coluna não for acompanhado, vai aumentar e trazer prejuízos para a vida do paciente, seja um distúrbio respiratório ou problema de autoestima”, ressalta a membro da SBOT-CE.
Geralmente o tratamento para a escoliose é conservador, informa Gabriella Brito. “A grande maioria das escolioses pode ser tratada usando apenas o colete e realizando fisioterapia específica, mas quando ela não é tratada ou quando avança de maneira muito rápida, às vezes se faz necessário o tratamento cirúrgico”, finaliza a cirurgiã de coluna.


