
Em 1972, o Brasil vivia um cenário alarmante: havia estimativas de cerca de 1,7 milhão de acidentes de trabalho por ano no país, levando as autoridades a tomar medidas legais para minimizar a situação. Assim, no dia 27 de julho daquele ano foram publicadas duas Portarias, que criaram o Programa Nacional de Valorização do Trabalhador (PNVT) e os Serviços Especializados em Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (SESMT), marcando um novo momento na prevenção, fiscalização e cultura de segurança. Desde então, a data é celebrada no país como o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes no Trabalho.
“Essa data chama atenção de toda a sociedade, empregados e empregadores, para a responsabilidade compartilhada na construção de ambientes laborais mais seguros e saudáveis. Muitas lesões ortopédicas podem ser prevenidas, com a adoção de medidas da cultura de segurança”, analisa o ortopedista Rafael Leitão, Presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Ceará (SBOT-CE).
Conceitos e desafios
Desde a instituição do Dia Nacional de Prevenção de Acidentes no Trabalho, conceitos como ergonomia, prevenção de lesões osteomusculares, afastamentos por adoecimento, cultura de segurança e impacto econômico dos acidentes na produtividade passaram a fazer parte do dia a dia das empresas. E o desafios permanecem: de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), entre 2016 e 2025 foram registrados no país 6,4 milhões de acidentes e 27.486 óbitos, além de mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos e cerca de 249 milhões de dias debitados (indicador que expressa o impacto permanente das ocorrências na vida dos trabalhadores). Somente em 2025 aconteceram 806.011 acidentes e 3.644 mortes — recorde da série histórica.
“Do ponto de vista ortopédico, a prevenção começa com atitudes simples no dia a dia. O trabalhador deve utilizar corretamente os equipamentos de proteção individual, respeitar os limites físicos do corpo, evitar improvisações e comunicar imediatamente qualquer situação de risco. Já o empregador precisa garantir treinamento contínuo, adequar os postos de trabalho às normas de ergonomia e incentivar uma cultura em que a segurança seja prioridade em todas as atividades, e não apenas uma exigência legal”, orienta Rafael Leitão.
O especialista também destaca que a prevenção das lesões osteomusculares depende de um esforço conjunto. “Empresas que investem em ergonomia, manutenção de equipamentos, pausas programadas e programas de educação em saúde reduzem significativamente o risco de acidentes e afastamentos. Para os trabalhadores, adotar técnicas corretas para levantamento de cargas, manter boa postura durante a jornada e respeitar os períodos de descanso são medidas práticas que ajudam a preservar a saúde da coluna, das articulações e dos músculos ao longo da vida profissional”, conclui o presidente da SBOT-CE.


