O Dia dos Namorados costuma despertar sentimentos diversos. Enquanto muitos celebram a vida a dois, outros vivem a data com uma mistura de saudade, frustração, esperança ou até descrença. Em um cenário marcado pelo aumento das separações, relacionamentos cada vez mais breves e dificuldades para estabelecer vínculos profundos, uma pergunta tem se tornado frequente nos consultórios: por que está tão difícil encontrar e manter uma relação saudável?
Segundo a psicóloga, terapeuta e fundadora da Casa Lágrima, Eloisa Fuchs, a dificuldade não está necessariamente na falta de oportunidades para conhecer pessoas, mas na complexidade emocional que marca as relações contemporâneas.
“Vivemos uma época de muitas conexões, mas de poucos vínculos. As pessoas estão mais acessíveis umas às outras, mas nem sempre estão emocionalmente disponíveis para construir intimidade, enfrentar conflitos e sustentar uma relação ao longo do tempo”, observa.
A especialista explica que muitas mulheres chegam aos atendimentos relatando o desejo de viver uma relação estável, mas também a dificuldade de encontrar parceiros que compartilhem valores semelhantes, projetos de vida compatíveis e maturidade emocional para construir uma caminhada conjunta.
Para Eloisa, existe ainda um impacto importante das experiências anteriores. Frustrações, traições, términos dolorosos e relações mal resolvidas acabam criando mecanismos de proteção que, muitas vezes, dificultam novas aproximações.
“Muitas pessoas não deixaram de acreditar no amor. Elas apenas estão cansadas de experiências que geraram sofrimento. Quando a dor não é elaborada, o medo passa a ocupar o lugar da esperança, e isso interfere diretamente na forma como nos relacionamos”, explica.
A psicóloga destaca que relacionamentos saudáveis exigem muito mais do que atração ou afinidades superficiais. Aspectos como diálogo, responsabilidade afetiva, capacidade de escuta, respeito às diferenças e disposição para atravessar momentos difíceis juntos tornaram-se fundamentais para a construção de vínculos duradouros.
Outro fenômeno observado pela especialista é o crescimento da idealização dos relacionamentos. Influenciadas pelas redes sociais, muitas pessoas passam a buscar relações perfeitas, livres de conflitos ou frustrações, criando expectativas incompatíveis com a realidade.
“O amor saudável não é aquele em que nunca existem dificuldades. É aquele em que existe disposição para conversar, reparar feridas, amadurecer e crescer junto. Relacionamentos não se sustentam apenas pelo sentimento, mas pela escolha diária de permanecer e construir”, afirma.
Neste Dia dos Namorados, Eloisa convida as pessoas a olharem para além da condição de estar solteiro ou acompanhado. Para ela, a qualidade das relações começa pela relação que cada indivíduo estabelece consigo mesmo.
“Antes de encontrar alguém, é importante encontrar a si próprio. Quanto mais consciência temos das nossas necessidades, limites, feridas e valores, maiores são as chances de construirmos relações mais verdadeiras, saudáveis e duradouras”, conclui.
SAIBA MAIS
Eloisa Fuchs é graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará e consteladora formada pelo Instituto Conexão Sistêmica de São Paulo em parceria com INSBAP – Institut für Systemische Psycoterapie, Aufstellung und Beratung de Munique. Compôs seu percurso formativo entre São Paulo, Alemanha e Espanha e teve o privilégio de aprender diretamente com os maiores nomes das constelações, como Dra. Ursula Franke-Bryson, Dra. Guni Baxa, Karin Schoeber, Thomas Bryson e Peter Bourquin, entre outros. Realiza pesquisa pioneira sobre Constelação Familiar no Departamento de Psicologia da Federal do Ceará. Se dedica ao caminho do autoconhecimento em diferentes áreas, estabelecendo diálogos entre psicologia, espiritualidade, arte e trabalhos corporais, enriquecendo seu olhar e sensibilidade constantemente sobre o que nutre processos de crescimento pessoal.


