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Campanha “Janeiro Branco”: ações do Complexo apontam o que você pode fazer pela sua saúde mental

Saiba quais os sinais que alertam sobre um possível mal-estar mental

29 de janeiro de 2022

Por Marilia Gabriela Silva Rego

Cuidar da nossa saúde mental deve ser tão importante quanto estar atento ao bem-estar físico. No mês de janeiro, desde 2014, a campanha “Janeiro Branco” é vivenciada pelas instituições brasileiras em alusão à saúde mental. O Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh, composto pela Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC) e pelo Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), através de ações de prevenção e tratamento psicossociais, destaca a importância de, já no início do ano de 2022, período propício para pensar sobre ações e desejos para os próximos meses, estabelecer como prioridade o cuidado com o campo psíquico e das emoções.

O psiquiatra da MEAC, Igor Emanuel Martins, reforça que o Janeiro Branco traz visibilidade para um assunto que é extremamente estigmatizado, não somente em um mês pontual, mas como uma forma de chamar a atenção de maneira mais forte para a temática. Já se sabe que uma grande parte da população terá um acometimento psíquico grave ou algum transtorno ao longo da sua vida e, dada essa prevalência, há impactos diretos na vida social, recreativa e até no trabalho dos indivíduos.

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Por isso, o Complexo, além do serviço de assistência a pacientes, já vem realizando ações em promoção ao bem-estar mental dos seus colaboradores, por meio do Projeto Conectados, um programa criado em 2020, no início da pandemia de covid-19, que integra uma equipe multiprofissional do HUWC e da MEAC. Na programação, há momentos presenciais e online, atendimento psicológico, constelação sistêmica e práticas integrativas (alongamento, exercícios de respiração e relaxamento), além da orientação de educadores físicos para exercícios.

Entre os anos de 2020 e 2021, o projeto registrou mais de 1.400 atendimentos a profissionais e alunos, alcançando 50% em redução do estresse e 86% em diminuição de perdas de dias de trabalho. Como ação especial para este mês de janeiro, o projeto divulgou conteúdos sobre saúde mental produzidos por psicólogas, enfermeira, assistente social e terapeutas ocupacionais no canal do Instagram do CH-UFC, além de estar realizando palestras virtuais, que estarão disponíveis na sexta (28), no canal do youtube do Complexo, para todo o público.

Outro destaque das ações de acolhimento psicossocial do Complexo é o Programa de Apoio à Vida (PraVida), uma ação de extensão da Universidade Federal do Ceará (UFC), realizada pelo Serviço de Psiquiatria do HUWC que atua há 18 anos com assistência terapêutica e prevenção a pessoas que tentam suicídio no Estado do Ceará. O Projeto, que envolve estudantes de Medicina, Psicologia e Serviço Social da Universidade, atende pacientes encaminhados pelas unidades básicas de saúde e de outros hospitais, diagnosticados com alto risco de suicídio, passando por um acompanhamento de, pelo menos, três meses.

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Sinais que alertam sobre um possível mal-estar mental

O primeiro passo, segundo o psiquiatra Igor Emanuel, é, de fato, olhar para si e identificar o que pode ser um sinal de alerta sobre algum problema no campo mental. Uma identificação precoce favorece um tratamento eficaz. É importante perceber que apenas as más emoções não caracterizam um quadro psicopatológico, ou seja, um transtorno mental. “Eu costumo falar que tem quatro coisas a serem avaliadas: a frequência dos sintomas, a intensidade deles, a permanência deles e o grau de disfunção ou sofrimento que eles causam na vida das pessoas”, explicou.

A frequência diz respeito a quantos sintomas o paciente apresenta, por exemplo, se é um indivíduo mais ansioso e se essa ansiedade, além de trazer preocupação, vem acompanhada por insônia, coração acelerado, sudorese nas mãos e aperto no peito. A intensidade refere-se à força com que esses sintomas se apresentam. Junto à quantidade e intensidade, o outro apontamento é sobre a permanência, ou seja, se os sintomas persistem e por quanto tempo. Por fim, observar se esses sintomas trazem consequências de sofrimento na vida do indivíduo. Com isso em mente, é possível separar o que é uma tristeza normal, às vezes advinda de um luto ou de uma situação pontual que deixou a pessoa mais melancólica, de um transtorno mental como a depressão, onde os sintomas são muito impactantes.

Durante a pandemia, a ocorrência de males mentais provocados pelo isolamento e medo da morte aumentaram ainda mais. Os aspectos de isolamento, quarentena e medo causaram na população um sofrimento agudo que, em muitos casos, culminaram no desenvolvimento de doença. O estresse pós-traumático, em decorrência do luto, foi um problema bastante recorrente neste período. As pessoas, em muitos momentos, precisaram se deparar com a própria possibilidade de morte ou de algum familiar e isso causou traumas profundos, que eventualmente reaparecem como em pesadelos, através de uma irritabilidade fácil ou dificuldade no sono, por exemplo. Dentre outros transtornos mais comuns neste período, segundo o especialista, a ansiedade exacerbada se tornou bastante expressiva na população brasileira.

Outro diagnóstico frequente é o da depressão. Sintomas como humor entristecido de forma contínua, com outras características que podem vir combinadas, como perda de prazer, alteração do apetite, prevalência de pensamentos negativos, incluindo pensamentos suicidas, ou até um aceleramento dos movimentos e dificuldade de concentração, acendem um alerta. O psiquiatra esclarece que há ainda o fator de impacto do próprio vírus no cérebro. A Covid-19 tem algumas alterações a nível cortical, destruindo células cerebrais e isso impacta na saúde mental.

Durante a gestação e no pós-parto, também há uma alta incidência de problemas psicológicos que, se não tratados, trazem para mãe e criança, além de agravamento dos transtornos psicológicos, riscos de prematuridade e baixo peso ao nascer, alerta o médico. Uma vez diagnosticado o problema, o tratamento é extremamente personalizado porque depende das características do caso, da gravidade e das preferências particulares da paciente e da família que colabora com essa decisão. A psicoterapia e as intervenções medicamentosas são uma possibilidade nestes casos.

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Promoção de uma cultura da saúde mental

O autocuidado em saúde mental envolve práticas diárias de cuidados também físicos, que repercutem no bem-estar geral. A prática de exercícios regulares e a boa alimentação (evitando, por exemplo, comidas ricas em açúcar e ultra processadas) tem efeitos equiparados ao do tratamento medicamentoso e psicoterapia, sem excluí-los, segundo o especialista. Práticas de relaxamento são extremamente poderosas na prevenção e tratamento da saúde mental. Aqui, cita-se a prática de yoga, intervenções alternativas como acupuntura e a meditação de atenção plena. Apesar da associação histórica entre meditação e religiosidade, não necessariamente estão associadas. Além dos tratamentos medicamentosos, a própria psicoterapia pode ser procurada como prevenção, embora as pessoas só procurem mais quando estão em episódios de sofrimento.

O uso de medicamentos para tratamento da saúde mental

Ainda há um forte estigma quanto ao uso de medicamentos para o tratamento de transtornos mentais. Assim como nosso corpo, a mente possui fragilidades e pode adoecer e isso requer uma atenção dedicada, assim como qualquer outra condição de saúde. O psiquiatra aponta que precisamos quebrar o paradigma de que o sofrimento mental pode ser resolvido sozinho. “Quando a gente entende que o transtorno mental é uma doença com base biológica, psíquica e sociológica, a gente entende que temos um limite para lidar com isso e que pode ser tratada através de medicamentos”, enfatizou.

Esse tratamento precisa ser prescrito pelo profissional que avaliará a condição e necessidade do paciente de maneira personalizada. A ideia é tratar a condição que afeta a vida da pessoa e trazer a sua felicidade de volta.

Serviço:

Conectados
O colaborador do HUWC ou da MEAC que tiver interesse em participar das ações do Conectados pode entrar em contato com a Usost.
PraVida
Ambulatório de Saúde Mental do Hospital Universitário Walter Cantídio – Rua Pastor Samuel Munguba nº 1290, Rodolfo Teófilo. Atendimentos às quintas-feiras, no período da tarde. É necessário encaminhamento para agendamento. Telefones: (85) 3366-8149 / 9 8400-5672 | E-mail: [email protected]
Mais informações para a Imprensa:
Unidade de Comunicação Social do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh: (85) 3366.8577 / 3366.8183.

 




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