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Ceará tem maior número de crianças com síndrome rara associada à Covid-19 no país

Até julho, 71 casos e 3 óbitos já haviam sido registrados no Brasil

3 de setembro de 2020
síndrome

Síndrome é considerada grave por especialistas.

Crianças e adolescentes estão sendo diagnosticados com a Síndrome Multissistêmica Inflamatória Pediátrica (SIM-P), uma síndrome rara e letal que pode estar relacionada à Covid-19. Até 7 de agosto, a SIM-P atingiu 41 pessoas no Ceará, fazendo com que se torne o Estado com o maior número de casos no Brasil.

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Os dados são do último levantamento divulgado em nota técnica pela Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa). Foram 22 casos identificados em pessoas do sexo masculino e 19 do sexo feminino, em 13 municípios cearenses, com dois óbitos.

Outros casos no Nordeste foram identificados recentemente, como em Pernambuco, que já conta com 10 casos e 1 óbito pela doença, e na Paraíba, com 9 registros.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), devido ao fato da síndrome manifestar sintomas, geralmente, após a infecção pelo novo coronavírus (Covid-19), existe a possibilidade das duas doenças estarem relacionadas. Diversas pesquisas estão sendo feitas no Brasil e no mundo para comprovar a relação.

Uma delas é o estudo realizado por pesquisadores do Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará, analisou o quadro clínico de 108 crianças diagnosticadas com Covid-19. Destas, 18 foram confirmadas com SIM-P.

Destes, foram analisados 11 casos, que apresentaram idade entre 7 meses e 11 anos, com diagnóstico nutricional de sobrepeso/obesidade ou comorbidades associadas (respiratórias e neurológicas). O tempo entre a exposição do vírus e as manifestações clínicas da síndrome variou entre 6 e 60 dias.

Síndrome rara

A doença é considerada pelas autoridades médicas como grave, mas rara. Segundo o médico pediatra Eugênio Melo, estima-se que 1 caso de SIM-P seja identificado a cada 10 mil diagnósticos de Covid-19. Ela pode atingir, principalmente, crianças entre 7 meses e 16 anos, sendo mais frequente entre jovens de 8 a 15 anos.

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De acordo com o profissional, a explicação para que a Síndrome Multissistêmica Inflamatória Pediátrica atinja esse público é uma predisposição genética. Ele explica que, assim como ocorre na doença de Kawasaki – síndrome bastante relacionada à SIM-P pela semelhança dos sintomas – existe uma alteração em do gene ITPKC, relacionado ao sistema imune. “Nos estudos que estão sendo feitos, apresentam uma diminuição desse gene. Por isso que a sintomatologia é tão semelhante”, afirma.

As complicações sobre a doença podem ocorrer, mas não são tão frequentes. “A síndrome pode deixar sequelas e pode evoluir para que a criança tenha um aneurisma de coronária. Existe uma situação muito específica na pediatria que é a Síndrome de Ativação Macrofágica que está sendo relacionada com a SIM-P. Mas as complicações estão sendo consideradas raras. A síndrome, por si só, já é bastante rara”, explica.

Sintomas

De acordo com o Ministério da Saúde, entre os sintomas mais frequentes, estão:

  • Febre persistente;
  • Pressão baixa;
  • Conjuntivite;
  • Manchas no corpo;
  • Diarreia;
  • Dor abdominal;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Comprometimento respiratório, entre outros.

Porém, segundo o dr. Eugênio, não existe como prevenir especificamente a SIM-P. “A prevenção é a mesma para que ela não contraia Covid-19”, esclarece o profissional.

Perigos à saúde

Segundo o pediatra, a mortalidade pela SIM-P ainda pode ser considerada baixa, mas existe. “A doença de Kawasaki, quando descoberta inicialmente e tratada de maneira correta, não costuma dar tantas complicações. A SIM-P tem apresentado algumas complicações, como se fosse uma forma mais grave da síndrome de Kawasaki. É a apresentação dos mesmos sintomas, mas de uma maneira mais severa”, explica.

Retorno às aulas presenciais

Em um período em que as aulas presenciais estão retornando, com medidas de segurança, em diversos estados do Brasil, Dr. Eugênio considera que o risco de contaminação pela Covid-19 e, possivelmente, desenvolvimento da SIM-P deve ser analisado com cautela.

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“Não acredito que, no momento, a SIM-P seja risco para a volta às aulas, mas isso tem que ser muito bem avaliado. Tem que ser respeitada a decisão dos pais que não querem o retorno dos filhos às aulas no momento”, opina.

Brasil

Como uma medida de vigilância em saúde, o Ministério da Saúde está monitorando os casos da SIM-P em todo o país. O último levantamento divulgado no portal oficial do órgão no dia 6 de agosto mostrou que, até então, havia 71 registros da doença e três óbitos no Brasil e mais de 300 no mundo. Porém, desde a data, estados como Pernambuco já divulgaram, por meio das secretarias de saúde, novas ocorrências.

Os primeiros relatos da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica foram identificados na Inglaterra, em pessoas com até 19 anos de idade. Hoje, já existem mais de 300 casos registrados em países como Espanha, França, Itália, Canadá e Estados Unidos, conforme dados do MS.

O melhor remédio é a prevenção

Durante a volta às aulas, é necessário pôr em prática medidas de segurança para evitar a contaminação pela Covid-19.

Crianças devem estar sempre utilizando máscaras de proteção e manter o distanciamento físico de, pelo menos, 2 metros. Os pais devem ficar atentos à manifestação de sintomas, já que, caso eles sejam apresentados, a criança deverá permanecer em isolamento durante 14 dias para evitar o contágio de outros alunos, professores e funcionários.

As mãos deverão estar, constantemente, higienizadas, com água e sabão. Caso não seja possível, pode ser utilizado álcool em gel. Porém, por ser um produto inflamável, é necessário que o uso seja supervisionado por um adulto.

Os alunos devem ser orientados a não tocarem o rosto, nariz, boca e olhos durante as atividades. O mais indicado é que mantenham seus cabelos presos e não utilizem acessórios, para assegurar a higienização correta das mãos.

É necessário, também, que cada criança leve seus objetos de uso pessoal, como garrafas.




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