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Pesquisadores da UFRJ descobrem paciente infectada com a Covid-19 por 5 meses

O estudo derruba tese de que o novo coronavírus perde capacidade de transmissão após a segunda semana do contágio

2 de setembro de 2020
paciente covid

Paciente permaneceu com o vírus por 152 dias, segundo pesquisadores.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificou uma paciente que ficou infectada com o vírus da Covid-19 por 5 meses. O caso da chamada “Paciente nº 3” derruba a tese de que o vírus da Covid-19 perde a capacidade de transmissão após a segunda semana do contágio.

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A paciente ficou com o vírus ativo durante todo esse período, segundo pesquisadores da UFRJ. No estudo, a paciente se manteve com resultado positivo do teste RT-PCR (teste mais preciso que detecta a presença do vírus da Covid-19) durante todo esse período.

A infecção da paciente aconteceu em março e ela apresentou apenas sintomas leves até a terceira semana de infecção. O quadro não se agravou, porém, mesmo assim, os exames mostravam que o vírus permaneceu ativo no organismo durante 152 dias.

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A possibilidade de reinfecção da paciente foi descartada pelos pesquisadores, já que a sequência genética do vírus foi a mesma em todas as amostras.

A pesquisa

Desde 16 de março, 50 pacientes -entre eles, profissionais de saúde e segurança pública- infectados pela Covid-19 foram acompanhados pelos pesquisadores.

Segundo a chefe do Departamento de Doenças Infecciosas da Faculdade de Medicina da UFRJ e coordenadora do Centro de Triagem e Diagnóstico da Covid-19 na universidade, Teresinha Marta Castineiras, em entrevista à Globo News, a expectativa era que uma parcela pequena das pessoas com sintomas leves permaneceriam com o vírus, mas não foi o que aconteceu.

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Mais de 70% das 50 pessoas que participaram da pesquisa para realizar a testagem mais de duas vezes após a infecção apresentaram transmissão após a segunda semana de infecção. “Foi uma preocupação desde o princípio e que mostrou que o vírus tem capacidade de replicar, foi possível reproduzir isso in vitro em passagens sucessivas de células. Nós temos outros indivíduos sendo acompanhados com as mesmas características”, relata a pesquisadora.

“A gente tem especulações [sobre o vírus] que já estão sendo respondidas. Onde ele permanece, já que ficam assintomáticos ou muito pouco sintomáticos? Existe alguma célula onde ele pode estar funcionando como reservatório? A gente já tem algumas hipóteses, já que o vírus se multiplica com maior facilidade em determinados tipos de células da linhagem linfocitária”, explica Teresinha.




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