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Outubro Rosa: uma campanha contra o câncer de mama e a favor da vida

Considerado um problema de saúde pública, o câncer de mama é o tipo que leva mais pacientes ao óbito, aponta INCA

1 de outubro de 2019

 

Outubro Rosa: Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo que mais leva pacientes ao óbito. (Foto: Banco de Dados)

Outubro Rosa: Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo que mais leva pacientes ao óbito. (Foto: Banco de Dados)

Enfrentar um câncer de mama é um momento de luta, superação e muita coragem. Difícil batalha que se tem como vitória a chance de uma nova vida. Segundo relatório feito este ano pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que 59.700 mulheres brasileiras devem enfrentar a doença no país, ainda em 2019. No Ceará, a instituição prevê  2.200 novos casos para ano, sendo 1.410 somente em Fortaleza.

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Prevenção e diagnóstico precoce

Os cuidados para prevenção e combate ao câncer de mama estão em destaque neste mês com a campanha Outubro Rosa. No entanto, é importante salientar que o tema deve estar em pauta sempre. Além de hábitos não saudáveis, como consumo excessivo de álcool, cigarro e alimentação pobre em nutrientes, a faixa etária é considerada um dos principais fatores de risco para o surgimento da doença. “O indicado é que todas as mulheres, a partir dos 40 anos, façam mamografias anualmente. O diagnóstico precoce ainda é a forma mais efetiva de parar o câncer e obter sucesso no tratamento. Quanto mais rápido for detectado, mais chances de cura”, explica o médico mastologista do Hospital Geral Haroldo Juaçaba, vinculado ao Instituto do Câncer do Ceará (ICC), Helano de Paula. 

No entanto, quando há histórico familiar, principalmente de parentes de primeiro grau, o cuidado deve ser redobrado e esses exames devem ser antecipados, a fim de evitar o pior. Foi assim que, em uma mamografia de rotina, a executiva de relacionamento Cinthia Caldas descobriu o pequeno nódulo na mama esquerda. Após acompanhar de perto o câncer de mama da mãe, Iolanda, ela sempre esteve em alerta para a saúde. “Após a descoberta, comecei com a quimioterapia, durante 6 meses. No começo, achei que seria algo mais simples. Foi difícil, demorou para cair a ficha, mas enfrentei. Antes de partir para a cirurgia, fiz um exame de rastreio de genético para saber o nível de alteração no genes. Como deu alto, optei por tirar as duas mamas de forma preventiva”, conta. 

Após descobrir o pequeno nódulo na mama esquerda em uma mamografia de rotina, Cinthia recorreu à cirurgia preventiva e retirou as duas mamas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Após descobrir o pequeno nódulo na mama esquerda em uma mamografia de rotina, Cinthia recorreu à cirurgia preventiva e retirou as duas mamas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Em casos como o de Cinthia, ocorre o que se chama de “mutação no BRCA”, em que a paciente pode optar  por retirar ambas as glândulas mamárias. O procedimento chamou atenção quando feito pela atriz Angelina Jolie, em 2013. “Quando há alteração nos genes brca1 e brca2, o risco de câncer até os 75 anos é de 80%. Levando em consideração a idade, o histórico familiar e a expectativa de vida, uma paciente com esses critérios pode optar por uma mastectomia bilateral profilática, ou seja, retirar as glândulas mamárias e colocar uma prótese. O risco de surgimento da doença cai para até 8%”, confirma o mastologista.

Autoestima 

No entanto, a retirada das duas mamas traz mais que somente benefícios. É um momento decisivo, bastante delicado, sendo quase impossível não afetar a autoestima de quem o vive. “No início fiquei com medo de ficar sem as mamas. A partir dali, quando tivesse filhos, não poderia amamentar. Foi realmente um choque, teria que sentar, parar minha vida, pra me dedicar totalmente a esse tratamento. A queda de cabelo também mexeu bastante comigo. Mas depois dos resultados, vi que foi o melhor pra mim, sem dúvidas. Hoje incentivo pessoas que passam por casos parecidos a não temer tanto. Sinceramente, mal lembro que estou com próteses, é uma adaptação natural”, confirma Cinthia. 

Cinthia e a mãe, Iolanda, ainda no período de tratamento, em 2016. (Foto: Arquivo Pessoal)

Cinthia e a mãe, Iolanda, ainda no período de tratamento, em 2016. (Foto: Arquivo Pessoal)

O tratamento de um câncer de mama é sempre um período conturbado, mesmo em casos com resultados positivos, como o de Cinthia. Os cuidados médicos devem ser combinados ao apoio de familiares e amigos, ambos necessários para a melhora da paciente. “Existiram momentos que estava bem delimitada emocionalmente. Contei muito com a ajuda da minha família, principalmente da minha mãe, que já havia passado por isso. Ela me acompanhou durante todo o processo. Também tive muito apoio dos meus amigos próximos e colegas de trabalho. Passei por dificuldades financeiras no início, e eles se prontificaram a me ajudar”, desabafa. 

ICC: apoio essencial

Realizar o tratamento completo no Instituto do Câncer do Ceará (ICC) foi fundamental para Cinthia. “Além do atendimento excelente, participava de grupos com outras pacientes. Tínhamos reuniões uma vez ao mês para trocar experiências e dar força uma a outra. Isso me ajudava muito, dava uma injeção de ânimo”, garante. 

O HHJ traz para a assistência o suporte multiprofissional, atendendo não somente a doença, mas todas as esferas pessoais, socioeconômicas e psicológicas do paciente. (Foto: Arquivo Pessoal)

O HHJ traz para a assistência o suporte multiprofissional, atendendo não somente a doença, mas todas as esferas pessoais, socioeconômicas e psicológicas do paciente. (Foto: Arquivo Pessoal)

Por ano, são atendidos cerca de 12.000 novos casos no Hospital Haroldo Juaçaba (HHJ), com 70% da demanda voltada para o Sistema Único de Saúde (SUS). O HHJ traz para a assistência o suporte multiprofissional, atendendo não somente a doença, mas todas as esferas pessoais, socioeconômicas e psicológicas do paciente. A Linha de Cuidado integra um ciclo de atendimento que traz a humanização como premissa.

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Além disso, a Casa Vida, espaço dedicado ao apoio no ICC, garante acolhimento, suporte emocional e atenção humanizada aos pacientes do SUS que fazem tratamento no HHJ e que não têm onde se hospedar em Fortaleza. Com direito a um acompanhante durante a estadia no local, os pacientes recebem, todos os dias, atendimento de uma equipe multiprofissional formada por nutricionistas, farmacêuticos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e fisioterapeutas, que contribuem para que o paciente mantenha um estado clínico satisfatório, fazendo com que o tratamento não seja interrompido.

Outubro Rosa 

Durante o mês de outubro, organizações e instituições de todo o Brasil promovem a campanha Outubro Rosa. Com foco na conscientização e no debate sobre câncer de mama, as ações giram em torno do Dia Internacional de Combate ao Câncer de Mama, lembrado em 19 de outubro. 

A campanha representa uma das mais importantes ações pela saúde feminina. Além de alertar mulheres para a necessidade de exames preventivos, o momento é de divulgar dados sobre a doença e lembrar a importância de ter um diagnóstico precoce. No caso de Cinthia, a rapidez no diagnóstico foi essencial para a eficácia do tratamento. “Descobrir e tratar o câncer cedo fez muita diferença. Tive um tratamento curto e de muito sucesso. Menos de 1 ano após a descoberta, eu já estava de volta ao trabalho, renovada”, relembra. 

Importância do autoexame

Um simples ato, mas que faz muita diferença na prevenção da doença, é permitir-se conhecer o próprio corpo. A campanha alerta para como o autoexame ou exame de toque pode ser o pontapé inicial para descobrir e tratar o câncer de mama. “Um exame fácil e que deve ser feito desde a adolescência, mensalmente, no meio do ciclo menstrual. Antes do banho, basta colocar uma mão atrás da cabeça, e com a outra apalpar a mama, com movimentos circulares de fora pra dentro, da extremidade pro centro, com a ponta dos dedos. O diagnóstico definitivo deve ser feito após a mamografia, com a biópsia”, orienta Helano. 

Passo a passo para o autoexame. (Fonte: ICC)

Passo a passo para o autoexame. (Fonte: ICC)

Atenção: Caso perceba algum nódulo incomum, vermelhidão, alteração no bico da mama, busque o médico.

Vida saudável também é prevenção

“Praticar exercícios, manter uma alimentação saudável, evitar consumo excessivo de álcool e o cigarro também são formas efetivas de prevenção contra o câncer de mama”, confirma o mastologista.  

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Um dos contribuintes para o sucesso no tratamento de Cinthia se deu também, segundo ela, “pelo exercício de olhar para si”. A partir dessa renovação, a executiva buscou evitar a autossabotagem e deixou crescer um amor próprio genuíno, despertando a vontade de cultivar hábitos mais saudáveis. “Hoje procuro me exercitar mais, antes era totalmente sedentária. Na alimentação, cortei enlatados, procuro ingerir mais frutas, mais sucos”, afirma. 

Outubro Rosa: Após vencer o câncer de mama, Cinthia tem uma vida renovada e um olhar mais carinhoso sobre si. (Foto: Arquivo Pessoal)

Após vencer o câncer de mama, Cinthia tem uma vida renovada e um olhar mais carinhoso sobre si. (Foto: Arquivo Pessoal)

Além do corpo, as transformações também foram internas. O cuidado no olhar para o outro também é prioridade. “Olhei mais pra dentro de mim e busquei ver o que tinha de verdadeiramente relevante. Antes, vivia só para trabalhar e estudar. E as outras pessoas? Hoje, tento ser mais humana, olhar mais para as pessoas. Dou importância às pequenas coisas. Conto minha história de vida para ajudar outras pessoas. Minha missão é ajudar quem passa por mim”, inspira Cinthia. 

Serviço

Instituto do Câncer do Ceará – ICC
Rua Papi Júnior, 1222 – Rodolfo Teófilo
Contato:  85 3288-4400
Instagram: @redeicc




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