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Covid-19: infectologista alerta para os riscos de contágio nas academias

Estabelecimentos estão liberados para funcionar, mas é preciso ter cuidados redobrados

31 de julho de 2020

covid-19 em academias

Academias, clubes e estabelecimentos similares voltaram às atividades em Fortaleza desde a última segunda-feira (27). Apesar do protocolo de segurança exigir o funcionamento com apenas 30% da capacidade e impor medidas de higienização mais rígidas, autoridades médicas alertam que o momento é de extrema cautela para evitar a contaminação pela Covid-19.

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Uma pesquisa publicada no último dia 2 de julho e realizada por 25 médicos americanos da Texas Medial Association (TMA) e do Comitê TMA em Doenças Infecciosas criou uma escala que classifica atividades do dia a dia, desde pegar uma entrega de comida até ir a um centro religioso, em 5 graus de contágio pela Covid-19: pouco risco, médio-baixo, risco médio, médio-alto e risco alto.

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Levando em consideração esse estudo, as academias são classificadas como atividades de risco alto de contágio pela Covid-19. A tabela tem validade apenas para caso onde as pessoas estão seguindo as orientações básicas da Orientação Mundial da Saúde (OMS), como distanciamento social de cerca de 2 metros entre pessoas, uso de máscaras e hábitos de higiene.

Por outro lado, o estudo também aponta que exercícios ao ar livre, como caminhar, correr ou andar de bicicleta com outras pessoas, são classificadas como atividades de grau médio-baixo de contágio pela Covid-19.

Confira o estudo na íntegra aqui.  

Tabela sobre risco de contaminação - Texas Medial Association (TMA)

Tabela sobre risco de contaminação – Texas Medial Association (TMA). Academias esta classificadas na escola 8 como lugar de “high risk”(alto risco) de contaminação. Texas Medial Association (TMA)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De acordo com a médica infectologista do Hospital São José, Melissa Medeiros, a academia pode torna-se um local propício para a disseminação do novo coronavírus por conta da maioria dos ambientes ser fechado, o que dificulta a circulação do ar natural, e por ter constante compartilhamento de máquinas e instrumentos. Por essas questões, a cautela deve ser redobrada. “É importante ter o cuidado de sempre limpar o instrumento, além dos cuidados diários depois dos exercícios, higienizando as mãos e utilizando a máscara”, afirma a especialista.

Dra. Melissa alerta que o risco existe e por isso é preciso que as medidas de segurança sejam respeitadas à risca pela academia e frequentadores. 

“Nesse momento, estamos com menos casos e parece ser um bom momento para passar por algumas fases, como o governo vem preconizando. A gente precisa ficar alerta e observar daqui pra frente se vai haver uma manutenção da queda ou se vão surgir novos casos. Cada instituição precisa ter sua responsabilidade”, destaca a infectologista. 

Como forma de orientação aos trabalhadores e frequentadores desses estabelecimentos, o Governo do Estado do Ceará divulgou um protocolo com medidas de segurança relacionadas à Covid-19 que devem ser seguidas. Entre elas, está a utilização de máscaras, mesmo na hora da realização dos exercícios, para evitar que gotículas de saliva sejam expelidas. As academias devem manter a ventilação natural para que o ar circule. 

Em Fortaleza, muitas academias já se adequaram aos protocolos de segurança e adotaram medidas tecnológicas para o agendamento de aulas e, assim, controlar o fluxo de pessoas e a aplicação das medidas de higienização do ambiente.

Uso de máscara durante o exercício

A profissional desmistifica, também, a popular ideia de que o uso prolongado de máscaras pode trazer risco à saúde devido à inalação de dióxido de carbono (CO2).

“Na verdade, a máscara já é utilizada em populações orientais, onde existe uma disseminação muito frequente de patógenos principalmente por vias aéreas e as pessoas vivem tranquilamente. Claro que a gente vai sentir uma diferença, porque a respiração pode ficar mais encurtada, até que a gente se adapte à realidade”, esclarece.

Apesar do desconforto, a médica afirma que deve-se usar a máscara durante os exercícios na academia. Deve-se estar atento à troca adequada das máscaras. “Se a máscara molhar, inclusive de suor, de umidade, ela precisa ser trocada. Quando está molhada, ela se torna mais um veículo de contaminação do que uma proteção”, explica a infectologista.

Atividades ao ar livre

A evidência de que a prática de exercícios em ambientes fechados causam mais riscos de contaminação pela Covid-19 aumentam a procura por atividades físicas ao ar livre. 

De acordo com a infectologista Melissa, “práticas ao ar livre são mais seguras porque tem o ar natural que tá simplesmente correndo e se renovando e não aquele ar ‘viciado’ de ambientes fechados, com ar condicionado, onde tem pouca ventilação”.

Esportes aquáticos

Segundo a infectologista, por serem praticados em ambientes abertos e ventilados, os esportes individuais praticados no mar podem ser seguros quando medidas de proteção são adotadas. Manter o distanciamento social e não fazer aglomerações na faixa de areia das praias são hábitos importantes que devem ser respeitados.

“Os esportes marítimos são ao ar livre, onde não é propício muita aglomeração. No caso do surf e kitesurf, que exige um bom distanciamento entre um praticante e outro, pode ser considerado uma prática mais segura”.

Desde que medidas básicas, como o distanciamento social, sejam respeitadas, a prática em ambiente ao ar livre, em si, não oferece altos riscos. Porém, é necessário ficar atento, também, às corretas medidas de higienização durante o percurso até chegar aos locais para realização do exercício físico. Cuidado redobrado ao pegar em objetos compartilhados como em maçanetas de portas, de carros, e ao ter contato com outras pessoas.

Além disso, a médica Melissa ressalta a importância da manutenção dos hábitos de higiene e distanciamento social em qualquer circunstância. “A gente precisa realmente mudar o paradigma de como se comporta para a nossa segurança não só individual, mas, também, a segurança do outro. Se a gente adquire essa responsabilidade coletiva, com certeza consegue debelar todas essas complicações”, alerta.




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