
Após chocar o Estado e repercutir nacionalmente, o trágico caso de tentativa de feminicídio no interior do Ceará, em que uma jovem teve as mãos amputadas pelo agressor, entra agora na fase mais crucial: a reconstrução da autonomia e o retorno dos movimentos. Depois do sucesso e da agilidade da equipe médica no reimplante das extremidades, o foco total está no trabalho integrado da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional, profissões essenciais para devolver a funcionalidade e a dignidade à paciente.
Casos de reimplante de alta complexidade exigem uma intervenção terapêutica imediata e extremamente minuciosa. A fisioterapia atua diretamente na redução do edema, na condução da regeneração nervosa, na prevenção de aderências cicatriciais e no ganho de amplitude de movimento e força. Paralelamente, a terapia ocupacional exerce um papel vital na reeducação sensorial, no resgate da identidade ocupacional e no treino das Atividades de Vida Diária (AVDs), como escovar os dentes, alimentar-se e escrever, adaptando o cotidiano da paciente conforme sua evolução.
O Dr. Jacques Esmeraldo, presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 6ª Região (Crefito-6), destaca o impacto social e humano do trabalho desses profissionais diante de traumas tão profundos. “A medicina cirúrgica realiza o milagre de salvar o membro, a Fisioterapia e a Terapia Ocupacional, por sua vez, realizam o milagre de devolver a funcionalidade a esse membro. Em lesões decorrentes de violência extrema, não estamos falando apenas de reabilitar músculos, nervos e função, estamos falando de devolver a autonomia, a autoestima e o direito dessa mulher de reconstruir sua própria história”, afirma o presidente.
De acordo com o Dr. Jacques, “o processo de reabilitação pós-reimplante é longo e exige paciência e alta especialização, mas a expectativa de evolução é positiva quando há o acompanhamento correto. O trabalho interdisciplinar visa restabelecer o máximo possível da sensibilidade, pinça fina e da preensão palmar, movimentos finos cruciais para a independência humana”.
A atuação dos fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais neste caso emblemático reforça a importância dessas categorias na saúde pública e privada do Ceará, transformando cenários de tragédia em trajetórias de superação e restabelecimento da qualidade de vida.
Sobre o Crefito-6
O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 6ª Região é uma autarquia federal que fiscaliza e normatiza o exercício profissional no Ceará, garantindo que a sociedade tenha acesso a um atendimento seguro, ético e de alta performance.


