
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% das pessoas entrarão em contato com o papilomavírus humano (HPV) em algum momento da vida. O vírus é comum entre a população sexualmente ativa, sendo um dos mais frequentes no mundo e o principal responsável pelo desenvolvimento do câncer do colo do útero.
A doença é caracterizada como um tumor que se desenvolve na parte inferior do útero, chamada colo, localizada no fundo da vagina. Os sintomas podem não surgir de imediato e, no início, muitas mulheres não apresentam sinais. Com a evolução do quadro, podem ocorrer sangramentos fora do período menstrual, dor e corrimento. Ao perceber qualquer alteração, é fundamental procurar um serviço de saúde.
Linha de cuidado na Atenção Primária à Saúde
Nos postos de saúde de Fortaleza, a Atenção Primária à Saúde conta com uma linha de cuidado voltada à prevenção do câncer do colo do útero. O processo se inicia com a vacinação contra o HPV, indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, preferencialmente antes do início da vida sexual.
No entanto, a vacina não protege contra todos os tipos de HPV associados ao câncer. Por isso, mesmo mulheres vacinadas devem realizar o exame preventivo, recomendado para aquelas entre 25 e 64 anos que já iniciaram a vida sexual.
Como funciona o fluxo?
Nas unidades básicas de saúde, o agendamento do exame Papanicolau é realizado após encaminhamento médico. A paciente deve se dirigir ao Núcleo de Atendimento ao Cliente (NAC), onde será verificada a disponibilidade da enfermeira responsável pela realização do exame.
O Papanicolau é a principal estratégia para a detecção precoce de lesões. Trata-se de um procedimento simples, rápido e geralmente indolor, que consiste na coleta de material do colo do útero. Para isso, é utilizado um instrumento chamado espéculo, além de uma espátula e uma escovinha para a obtenção das células. O material coletado é colocado em uma lâmina e encaminhado para análise.
Em 2025, foram realizados mais de 52 mil exames de citologia nos postos de saúde da capital. De acordo com a coordenadora de laboratórios da Atenção Primária à Saúde (APS), unidade do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), Lívia Sales, “as amostras são entregues na sala de coleta para conferência pelo auxiliar de laboratório e, em seguida, encaminhadas ao laboratório parceiro. Após nova conferência e registro no sistema, seguem para o laboratório de apoio, responsável pela leitura das lâminas e emissão dos laudos, que são posteriormente disponibilizados no sistema”, explica.
Nos casos de resultados positivos, há sinalização prioritária pelo laboratório de apoio ao parceiro, com comunicação formal à equipe de Saúde da Mulher por e-mail.


