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Hospital Brasiliense realiza 1ª cirurgia cardíaca à beira-leito em recém-nascido

Procedimento realizado na pequena Ester foi considerado um sucesso; bebê recebeu alta hospitalar na última quinta-feira (26)

1 de abril de 2026

Após nove meses de gestação e um parto bem-sucedido, a vida da pequena Ester, nascida em 29 de janeiro no Hospital e Maternidade Brasiliense, da Hapvida, mudou drasticamente ainda na primeira semana. A mãe, a dona de casa Bárbara Lorena Rodrigues, de 31 anos, percebeu algo diferente: a filha respirava com muito esforço. Ao retornar à unidade de saúde, foi constatado um problema congênito que levou à realização da primeira cirurgia cardíaca à beira-leito em recém-nascido na história do hospital, feita em 18 de fevereiro. “Foi um baque. A gente não esperava. Quando ela foi intubada, no dia seguinte, entendemos a gravidade da situação”, conta Bárbara, que vem enfrentando a situação junto ao marido, o policial militar Samuel Souza Leite.

“Desde o princípio, a equipe médica conversou com a gente, explicou como tudo ia funcionar. A linha de frente, a Roberta Lengruber [coordenadora da UTI pediátrica e neonatal] e o Pedro Lourenço [diretor médico] sempre se mostraram empenhados em resolver a situação da nossa filha. Essas pessoas que nos atendem diariamente são excepcionais”, afirma.

Diagnóstico – Roberta Lengruber explica que Ester foi diagnosticada com PCA (persistência do canal arterial), condição em que uma estrutura que deveria se fechar após o nascimento permanece aberta, comprometendo a circulação sanguínea. “Quando o bebê nasce e dá o primeiro respiro, a circulação começa a se reorganizar. Esse canal arterial deveria se fechar naturalmente. No caso da Ester, simplesmente não fechou”, explica a médica, que ressaltou ainda que o canal muitas vezes pode levar até semanas para ficar anatomicamente completamente fechado, mas que funcionalmente deveria funcionar como fechado nos primeiros dias.

Diante da evolução do quadro clínico e da ausência de resposta ao tratamento medicamentoso, a equipe multidisciplinar decidiu por uma medida inédita na unidade: realizar uma cirurgia cardíaca à beira-leito, diretamente na UTI neonatal, evitando o deslocamento da recém-nascida e reduzindo riscos associados ao transporte e à instabilidade clínica.

Complexidade técnica – Lengruber explica que a cirurgia consistiu no fechamento do canal arterial por meio de uma abordagem minimamente invasiva, guiada por ultrassom. “É uma cirurgia sem necessidade de abrir o tórax ou manipular diretamente o coração. O cirurgião acessa a artéria por um pequeno corte lateral e realiza o fechamento com um clipe, em uma estrutura extremamente delicada e muito pequena”, detalha.

“Apesar disso, a cirurgia sempre envolve riscos importantes. É quase um trabalho de arte manual. Por isso, além do cirurgião cardíaco, participaram anestesista, cardiologista pediátrica para monitoramento contínuo com ecocardiograma, intensivistas, enfermeiros e fisioterapeutas”, ressalta a médica.

Marco assistencial – A realização da primeira cirurgia cardíaca beira-leito em recém-nascido no Hospital e Maternidade Brasiliense, da Hapvida, representa um avanço importante na assistência neonatal de alta complexidade. O procedimento demonstra a capacidade técnica da instituição, a integração entre especialidades e o investimento contínuo em estrutura e qualificação profissional para atendimento de casos críticos desde os primeiros dias de vida.

Recuperação progressiva – O resultado foi imediato: 24 horas após o procedimento, exames já indicavam melhora significativa na circulação e na função cardíaca. “Depois da cirurgia, conseguimos respirar mais aliviados. A gente temia muito o pós-operatório, mas foi melhor do que os dias anteriores, quando ela estava bem debilitada”, relata a mãe.

Após recuperação na UTI neonatal, Ester teve alta na última quinta-feira (26). “Embora a cirurgia tenha sido um sucesso, ela vai precisar de uma atenção especial. Mas a expectativa é de que ela tenha uma vida normal”, comemora Barbara, que já é mãe também de Lívia, 7, e Israel, 2.

Cuidados – De acordo com o Ministério da Saúde, em cada mil crianças que nascem no Brasil, dez apresentam alguma cardiopatia congênita. Isso equivale a cerca de 30 mil bebês por ano, e em média 40% deles precisam passar por cirurgia ainda no primeiro ano de vida.




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