
No ano passado, o Brasil viu uma expansão da utilização de robôs para cirurgia do quadril. De acordo com a Sociedade Brasileira do Quadril (SBQ) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), até o final de 2025, havia mais de 110 equipamentos dessa natureza instalados, em mais de 50 hospitais brasileiros, utilizando técnicas avançadas, como o planejamento 3D pré-operatório via tomografia, Inteligência Artificial para visualização em tempo real do alinhamento ósseo e balanço ligamentar, entre outras. As ferramentas permitem um alinhamento milimétrico da prótese, reduzindo riscos de luxação e acelerando a recuperação pós-operatória. A tecnologia 5G apoia essa expansão, prometendo mais acessibilidade em artroplastias.
“A cirurgia robótica representa um grande avanço tecnológico na cirurgia de quadril e isso traz um apelo muito grande, tanto para os cirurgiões como para os pacientes, visto que um dos principais objetivos da utilização do braço robótico e também da navegação que vem junto da utilização dessa tecnologia é trazer uma maior precisão na colocação dos implantes nos pacientes. Essa maior precisão levaria a uma menor queixa de diferença de comprimento dos membros inferiores e também a um menor risco de complicações relacionados ao mau posicionamento do implante”, explica o cirurgião do quadril Leandro Alves de Oliveira, Membro da Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ).
No entanto, a utilização de robôs de forma alguma diminui a importância da qualificação dos médicos ortopedistas. “O o papel do cirurgião é fundamental para se realizar esse tipo de cirurgia. Ele tem que fazer um treinamento para utilizar essa nova tecnologia. O braço evita as falhas, como tremores na hora de se colocar um implante. A gente coloca o implante justamente naquela posição que foi planejada. Mas todo o procedimento cirúrgico fica a cargo do cirurgião, é ele que vai fazer a incisão, é o cirurgião que vai fazer e colocar também os implantes”, esclarece Leandro Alves de Oliveira.
Vantagens
De acordo com o cirurgião do quadril, que também é Supervisor da residência de ortopedia e traumatologia e membro do grupo de quadril do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC/UFG), entre as vantagens dessa nova tecnologia estão: o planejamento pré-operatório, realizado para submeter esse tipo de cirurgia; e uma precisão maior em relação a algum posicionamento dos implantes, restabelecendo de uma maneira mais exata a biomecânica do quadril. “Na teoria, com uma maior precisão da cirurgia, podemos evitar maiores complicações, como a instabilidade, porque a gente colocaria o implante numa posição mais correta, e a instabilidade é quando a prótese se desloca”, observa. “Como desvantagem, temos um tempo cirúrgico maior, é preciso fazer as incisões para colocar os sensores, que levam as informações para o computador e também depois na execução, com o braço robótico”, pondera Leandro Alves de Oliveira.
O principal sinal de alerta para doenças do quadril é uma dor na virilha, que começa de uma maneira insidiosa, ou seja, uma dor mais fraca. “Muitas vezes, o paciente fala que é um incômodo e aponta para essa região anterior do quadril, que seria na virilha. É uma dor que, no ponto de atividade física, fazer uma corrida, pegar um peso, vai aumentando gradativamente”, alerta Leandro Alves de Oliveira. “Associado a isso, o paciente também vai limitando seu movimento, muitas vezes uma dificuldade para levantar a perna, subir em degraus e até dificuldade para calçar um sapato. Caso apresente esse tipo de sintoma, o ideal é procurar um especialista em quadril da Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ) para fazer sua avaliação correta”, orienta o cirurgião do quadril.


