Estudo do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde da Universidade de Washington prevê que cerca de 1 bilhão de pessoas sofrerá com osteoartrite até 2050
A artrose e osteoartrite são nomes diferentes para a mesma doença, que é a forma mais comum de artrite. Sendo uma doença crônica que causa o desgaste da cartilagem das articulações, resultando em dor, rigidez e dificuldade de movimento. Com o tempo, esse desgaste pode levar à inflamação e até deformidades articulares.
Um estudo do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, da Universidade de Washington (EUA), estima que até 2050 cerca de 1 bilhão de pessoas serão afetadas pela osteoartrite. O uso excessivo de celulares e computadores tem crescido, e a repetição contínua de movimentos, assim como a postura inadequada, pode acelerar o desgaste articular, levando a dores e inflamações nas mãos, punhos e outras articulações.
Segundo a reumatologista Cláudia Goldenstein Schainberg, o uso prolongado desses dispositivos sobrecarrega as articulações. “O movimento repetitivo de digitação e deslizar os dedos na tela gera microtraumas que, ao longo do tempo, podem desencadear inflamações crônicas e até mesmo acelerar processos degenerativos, como a osteoartrite”, explica a especialista.
Além disso, a postura inadequada ao segurar o celular ou ao utilizar o computador pode agravar o problema. “Ficar longos períodos com o pescoço inclinado e os punhos em posições forçadas pode causar sobrecarga, contribuindo para dores e rigidez nas articulações”, alerta Cláudia.
O impacto é sentido em qualquer lugar onde o uso de dispositivos eletrônicos seja frequente, seja no trabalho, em casa ou durante o lazer. “Cada vez mais, temos jovens e adultos apresentando queixas de dor articular por conta do tempo excessivo em frente às telas”, ressalta a reumatologista Schainberg.
Com o avanço da tecnologia, a dependência de dispositivos móveis e computadores cresceu exponencialmente, levando a um aumento das queixas musculoesqueléticas. “Antes, a artrose e outros desgastes articulares eram mais comuns em idosos. Hoje, já observamos sinais precoces dessas condições em pessoas na faixa dos 30 e 40 anos”, enfatiza Cláudia Goldenstein.
No entanto, medidas preventivas podem ser adotadas. “Fazer pausas regulares, alongamentos e manter uma postura adequada são essenciais para evitar sobrecarga nas articulações. Se houver dores persistentes, um especialista deve ser consultado o quanto antes para evitar complicações”, conclui Cláudia Goldenstein Schainberg.
Sobre a Dra. Cláudia Goldenstein Schainberg
Com uma ampla experiência na área da saúde, Dra. Cláudia é graduada em Medicina pela Universidade Federal da Bahia e possui mestrado e doutorado pela Faculdade de Medicina da USP. Fez também especialização em Reumatologia no Canadá e Estados Unidos.
A Dra. Cláudia declara a importância sobre assuntos sociais relacionados à saúde, bem-estar, qualidade de vida, autocuidado e humanismo. Atualmente exerce atividades de ensino, assistência e pesquisa no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, onde chefia o Laboratório de Imunologia Celular do LIM-17 e o Ambulatório de Artrites da Infância.
Também faz parte do corpo clínico dos hospitais Israelita Albert Einstein, Sírio Libanês e Alemão Oswaldo Cruz. Já no Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, atua nos Ambulatórios de Osteoartrite, Gota e Espondiloartrites.