
O mês de julho chegou e, com ele, o recesso escolar. Se para muitas famílias o período é sinônimo de descanso, para os pais de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), as férias podem se transformar em um *período de grande estresse e desorganização emocional. A ausência da estrutura rígida e previsível da escola costuma gerar ansiedade, crises e sobrecarga, tanto para os pequenos quanto para os cuidadores, que precisam conciliar o trabalho em home office ou presencial com as demandas domésticas.
É nesse cenário desafiador que a Terapia Ocupacional desempenha um papel vital. Como a profissão que estuda e estrutura o cotidiano, a autonomia e a independência humana, o Terapeuta Ocupacional atua como um facilitador, ajudando as famílias a redesenharem a dinâmica do lar durante as férias, garantindo que o cérebro da criança continue recebendo os estímulos corretos sem entrar em exaustão sensorial.
O Dr. Jacques Esmeraldo, presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 6ª Região (Crefito-6), ressalta que a previsibilidade é uma das maiores aliadas do bem-estar no autismo. “A escola oferece uma rotina clara, com horários definidos para comer, brincar e estudar. Quando isso desaparece abruptamente em julho, a criança com TEA pode se sentir perdida no tempo e no espaço, o que se manifesta em crises ou isolamento. O papel do terapeuta ocupacional é fornecer aos pais ferramentas práticas para criar uma nova rotina de férias saudável, mostrando que o tempo livre também pode ser estruturado de forma leve e afetiva”, explica o presidente.
Dicas Práticas da Terapia Ocupacional para as Férias
Para apoiar os pais que se sentem perdidos neste período, o Crefito-6 reuniu orientações essenciais desenvolvidas por profissionais da área:
• Rotina Visual Sempre: Substitua a lousa da escola por um cronograma visual em casa (pode ser com desenhos, fotos ou ímãs na geladeira). Mostrar à criança a sequência do dia — acordar, tomar café, hora de brincar livre, hora de uma atividade direcionada — reduz drasticamente a ansiedade.
• Transições Sinalizadas: Crianças com TEA têm dificuldade em mudar de atividade abruptamente. Avise com antecedência: “Em 10 minutos vamos desligar o videogame para almoçar”. O uso de cronômetros visuais (como ampulhetas ou timers no celular) ajuda muito.
• Canto do Relacionamento e Regulação: Crie um “cantinho da calma” na casa, com almofadas, texturas que a criança goste e luz mais baixa. Quando notar sinais de sobrecarga sensorial ou irritabilidade, direcione a criança para esse espaço seguro.
• Atividades com Propósito: Envolva a criança nas tarefas de casa de forma lúdica. Ajudar a lavar legumes, arrumar os brinquedos ou regar as plantas são atividades ricas em estímulos motores e sensoriais, além de darem a sensação de utilidade e pertencimento.
• Equilíbrio de Estímulos: Evite o uso excessivo de telas (TV, tablets e celulares). Embora pareçam acalmar no primeiro momento, telas geram hiperestimulação visual e mental, o que pode piorar a qualidade do sono e aumentar a irritabilidade a médio prazo.
O Crefito-6 reforça que as férias não precisam ser um período de retrocesso no desenvolvimento da criança. Com estratégias simples orientadas por um terapeuta ocupacional registrado, é possível transformar o mês de julho em uma oportunidade de estreitar laços familiares e explorar novas formas de aprender e brincar.
Sobre o Crefito-6
O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 6ª Região é uma autarquia federal que fiscaliza e normatiza as profissões no Ceará, zelando pela entrega de serviços de saúde éticos, seguros e baseados em evidências para toda a sociedade.


