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Adiar tratamento da obesidade aumenta risco de doenças graves e dificulta controle da condição

Especialista alerta que a demora em buscar tratamento pode favorecer o surgimento de complicações como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e alguns tipos de câncer

2 de julho de 2026

Segundo o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é classificada como uma doença crônica, progressiva e multifatorial, ainda que se demorem décadas para tratá-la como tal. No Brasil, a condição afeta cerca de 24,3% da população adulta e os números continuam em crescimento. Mesmo assim, um dos maiores obstáculos no combate à doença ainda é simples de nomear: a demora em buscar tratamento.

De acordo com o cirurgião bariátrico e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) – Capítulo Ceará, Dr. Paulo Campelo, quanto mais tempo a obesidade fica sem acompanhamento especializado, maiores são os riscos para a saúde.

“Quando não é tratada adequadamente, a obesidade favorece o desenvolvimento e o agravamento de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apneia do sono, problemas cardiovasculares, dores nas articulações e até alguns tipos de câncer. Essas complicações comprometem a qualidade de vida e podem reduzir a expectativa de vida. Por isso defendo: quanto mais cedo a doença é enfrentada, maiores são as chances de controlar as suas consequências”.

Canetas emagrecedoras ampliam opções terapêuticas

Nos últimos anos, os medicamentos para tratamento da obesidade, as chamadas canetas emagrecedoras, passaram a ocupar um espaço cada vez maior nas estratégias de combate à doença. Os fármacos têm apresentado resultados expressivos na perda de peso e no controle metabólico, ampliando as possibilidades terapêuticas para diferentes perfis de pacientes.

Apesar dos avanços, Dr. Paulo Campelo destaca que esses medicamentos não são indicados para todos os casos. “Eles representam um recurso importante, especialmente para pacientes com obesidade leve ou moderada e para aqueles que ainda não têm indicação cirúrgica. Entretanto, é fundamental entender que nem todos os pacientes terão os mesmos benefícios e a escolha do tratamento precisa ser individualizada”, explica.

O especialista ressalta que, nos casos de obesidade grave associada a comorbidades, a cirurgia bariátrica continua sendo a alternativa com melhores resultados em termos de perda de peso sustentada e remissão de doenças relacionadas ao excesso de peso. “Os medicamentos não substituem a cirurgia bariátrica. Eles são ferramentas importantes dentro do tratamento da obesidade, mas a definição da melhor estratégia depende sempre da avaliação médica e das características de cada paciente”, pontua.

Quando a cirurgia bariátrica é indicada

A cirurgia bariátrica é recomendada, em geral, para pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40 kg/m², independentemente da presença de doenças associadas, ou para aqueles com IMC superior a 35 kg/m² que apresentem comorbidades relacionadas à obesidade. Em situações específicas, critérios mais recentes também permitem a avaliação de pacientes com IMC entre 30 e 35 kg/m², especialmente quando há diabetes de difícil controle.

Segundo o Dr. Paulo Campelo, o primeiro passo de quem busca o procedimento é procurar acompanhamento especializado. “O paciente passa por uma avaliação clínica completa, com exames laboratoriais e consultas com uma equipe multidisciplinar: endocrinologista, cirurgião bariátrico, nutricionista e psicólogo. Somente depois dessa análise conjunta é possível definir o tratamento mais adequado para cada caso”, conclui.




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